Este conteúdo tem como fonte a publicação da Information Commissioner’s Office, em 07.04.2026.
Acesse: https://ico.org.uk/about-the-ico/media-centre/news-and-blogs/2026/04/one-click-too-many-75-of-parents-fear-their-kids-arent-making-safe-choices-online/
Uma nova pesquisa divulgada esta semana pelo Information Commissioner’s Office (ICO), o órgão regulador de proteção de dados do Reino Unido, acendeu um alerta global sobre a segurança infantil na internet.
Segundo o relatório, 75% dos pais temem que seus filhos não estejam fazendo escolhas seguras em relação à privacidade online. O dado surge num momento crucial para o Brasil, que acaba de implementar o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e vê instituições como o Instituto SIGILO intensificarem a fiscalização contra abusos de dados de menores.
O Cenário Global: A Fragilidade do "Aceito"
A campanha britânica “Switched on to privacy” (Ligados na Privacidade) revelou estatísticas preocupantes. De acordo com o ICO, cerca de 24% das crianças em idade escolar primária já partilharam o seu nome real ou morada online. O estudo destaca que um simples clique em “aceitar” termos de uso em jogos e apps pode expor não apenas dados básicos, mas também padrões de sono, humores e interesses, criando uma pegada digital permanente.
Apesar do medo, a prática de diálogo em casa ainda é baixa: 21% dos pais nunca conversaram com os filhos sobre privacidade na rede. Para Emily Keaney, Comissária Adjunta do ICO, a privacidade deve ser tratada como uma “habilidade essencial para a vida”, comparável a ensinar uma criança a atravessar a rua com segurança.
Brasil na Vanguarda: O Advento do ECA Digital
Enquanto o Reino Unido aposta na conscientização, o Brasil deu um passo jurídico decisivo. Sancionado em setembro de 2025, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) atualizou a proteção integral prevista no ECA de 1990 para a era dos algoritmos.
Os principais pilares da nova lei brasileira incluem:
- Proibição de Perfilamento: É vedada a criação de perfis comportamentais de menores para fins de publicidade comercial.
- Supervisão Parental Reforçada: Redes sociais devem vincular contas de menores de 16 anos aos perfis dos responsáveis, oferecendo ferramentas de monitoramento de tempo e conteúdo.
- Privacidade por Padrão: As plataformas são obrigadas a configurar, por definição, o nível mais alto de privacidade para usuários menores de idade.
- Responsabilidade das Big Techs: A lei impõe deveres concretos às plataformas, prevendo sanções rigorosas para aquelas que priorizam o lucro em detrimento da segurança infantil.
O Papel do Instituto SIGILO na Defesa do Cidadão
Neste ecossistema de proteção, o Instituto SIGILO (Instituto Brasileiro de Defesa da Proteção de Dados Pessoais, Compliance e Segurança da Informação – SIGILO) tem desempenhado um papel fundamental. Como uma das principais associações civis voltadas para o tema no Brasil, o Instituto SIGILO atua como um vigilante dos direitos digitais.
Recentemente, o Instituto tem focado em:
- Ações Civis Públicas: Processando empresas que realizam coleta excessiva de dados de crianças em jogos online gratuitos.
- Educação Digital: Promovendo campanhas para que pais saibam como utilizar as novas ferramentas do ECA Digital para proteger a privacidade de seus filhos.
- Fiscalização de Compliance: Monitorando se as empresas de tecnologia estão se adequando às exigências de transparência e segurança da informação impostas pela nova legislação.
Conclusão: Um Esforço Coletivo
Os dados do ICO reforçam que a tecnologia avança mais rápido do que a percepção de risco das famílias. No entanto, a combinação entre a conscientização proposta por campanhas internacionais e o rigor normativo do ECA Digital no Brasil aponta para um caminho necessário.
Como defende o Instituto SIGILO, a segurança jurídica no ambiente virtual só é possível com segurança da informação e uma sociedade civil ativa. Para os pais, a mensagem é clara: o diálogo deve começar cedo, antes que o próximo “clique” se torne um rastro indelével na vida de seus filhos.
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